Cinco erros que travam uma grelha lógica a meio
Um nível de dedução raramente trava por ser difícil. Trava porque uma marca entrou na grelha sem fundamento e todas as deduções seguintes foram construídas em cima dela. Estes cinco erros explicam a maioria dos bloqueios.
1. Começar pela pista mais interessante
As pistas com história — a que menciona o cofre, a que fala do comboio das seis — são as que se leem primeiro e as que menos informação dão. As úteis costumam ser as secas, do tipo "A não é B", precisamente porque não exigem interpretação. Aplicar primeiro as secas reduz o tabuleiro sem gastar decisões.
2. Colocar um visto antes de fechar as exclusões
Um visto afirma que uma correspondência é verdadeira e obriga a marcar como impossíveis todas as outras células da linha e da coluna. Se o visto estiver errado, o erro propaga-se por dezenas de células e deixa de haver forma de o localizar. A regra prática: um visto só entra quando resulta de uma linha que já ficou com uma única casa livre.
3. Ler uma pista de exclusão como pista de posição
"O carro vermelho não está ao lado do azul" diz alguma coisa sobre adjacência e nada sobre qual ocupa que lugar. Numa grelha de correspondência cruzada esta pista pertence à tabela que relaciona cor com posição, e não à tabela final. Aplicá-la no sítio errado produz uma grelha que parece consistente até ao penúltimo passo.
4. Não usar a contradição
Quando a dedução direta esgota, a saída é assumir uma hipótese e seguir as consequências até encontrar um absurdo. Muita gente evita isto por parecer batota. Não é: é o método que fecha os níveis longos. Convém fazê-lo com disciplina — escolher a linha com duas hipóteses, não uma com quatro, e desfazer tudo assim que a contradição aparecer.
5. Insistir num ecrã pequeno
Este é o erro menos discutido e o mais banal. Numa grelha de cinco categorias por cinco itens, um telemóvel de seis polegadas mostra pouco mais de metade do tabuleiro. Quem arrasta a página a cada marca perde a visão de conjunto, e é a visão de conjunto que revela a linha quase fechada. Rodar o dispositivo, quando a app o permite, resolve mais bloqueios do que qualquer técnica.
Como se distingue um erro de um nível difícil
A tabela abaixo resume o sintoma de cada situação. Serve para decidir, ao fim de alguns minutos parado, se vale a pena continuar ou recomeçar.
| O que se vê na grelha | Causa mais provável | O que fazer a seguir |
|---|---|---|
| Duas linhas com um visto cada na mesma coluna | Marca colocada por intuição | Apagar e refazer desde a última pista aplicada |
| Uma linha inteira sem qualquer marca | Pista aplicada na tabela errada | Reler as pistas compostas uma a uma |
| Grelha quase cheia, duas hipóteses abertas | Falta usar a contradição | Assumir uma hipótese e seguir até ao absurdo |
| Pistas todas usadas, nada avança | Uma pista foi lida ao contrário | Recomeçar o nível em vez de auditar marcas |
Sistematização da redação a partir dos padrões de bloqueio mais frequentes nos formatos descritos neste sítio.
Um sexto erro, este de organização
Há ainda um hábito que não é de raciocínio mas custa níveis: usar o botão de dica antes de esgotar a leitura. A dica revela uma correspondência correta e, ao fazê-lo, retira do tabuleiro precisamente a informação que faltava deduzir. Em níveis de aprendizagem isso ensina qualquer coisa, porque se pode reconstruir o caminho até àquela marca. Em níveis longos apenas encurta o problema e deixa a mesma dúvida por resolver no nível seguinte.
O mesmo vale para reiniciar. Recomeçar um nível bloqueado é barato e quase sempre correto; recomeçar por impaciência, ao terceiro minuto, transforma a sessão numa sequência de aberturas sem nenhuma conclusão. A diferença está em saber se a grelha está errada ou apenas incompleta, e a tabela acima serve exatamente para essa distinção.
O passo seguinte
Se reconheceu o terceiro erro, o texto sobre pistas negativas trata exatamente da ordem em que as marcas devem entrar. Se reconheceu o quinto, vale mais mudar de formato do que de técnica: os nonogramas e os enigmas narrativos ocupam o ecrã de maneira diferente e sofrem muito menos deste problema.